ATIVIDADES DO GESTAR TP3


ESCOLA INÁCIO SOUZA MOITA
DISCIPLINA: LÍNGUA PORTUGUESA
PROFESSORA: RAIKA BARRETO
AULA 4
GÊNEROS TEXTUAIS I
              Muito se tem falado sobre a diferença entre "tipos textuais" e "gêneros textuais". Alguns teóricos denominam dissertação, narração e descrição como "modos de organização textual", diferenciando-os das nomenclaturas específicas que são consideradas "gêneros textuais".
               A fim de simplificar o entendimento de diversos estudos em torno desse assunto, foi criado o quadro abaixo, pautando-se no estudo de Luiz Antônio Marcushi.
 Tipos textuais 
            Designam uma seqüência definida pela natureza lingüística de sua composição. São observados aspectos lexicais, sintáticos, tempos verbais, relações lógicas.
Narração
Descrição
Argumentação
Predição
Injunção

 Gêneros textuais
               São os textos materializados encontrados em nosso cotidiano. Esses apresentam características sócio-comunicativas definidas por seu estilo, função, composição, conteúdo e canal.
Carta pessoal, comercial, bilhete
Diário pessoal, agenda, anotações
Romance
Resenha
Blog
E-mail
Bate-papo (Chat)
Orkut
Vídeo-conferência
Second Life (Realidade virtual)
Fórum
Aula expositiva, virtual
Reunião de condomínio, debate
Entrevista
Lista de compras
Piada
Sermão
Cardápio
Horóscopo
Instruções de uso
Inquérito policial
Telefonema etc.
BIBLIOGRAFIA INDICADA
DIONÍSIO, Angela Paiva, MACHADO; Anna Rachel; BEZERRA, Maria Auxiliadora (Orgs.). Gêneros textuais & ensino. Rio de Janeiro: Lucerna, 2005.


MARCUSHI, Luiz Antônio; XAVIER, Antônio Carlos (orgs.). Hipertexto e gêneros digitais. Rio de Janeiro: Lucerna, 2004.


ESCOLA INÁCIO SOUZA MOITA
DISCIPLINA: LÍNGUA PORTUGUESA
PROFESSORA: RAIKA BARRETO
ALUNO (S):_________________________
SÉRIE E TURMA:____________N.º_______

CARACTERÍSTICAS DO GÊNERO NARRATIVO
• Apresenta fatos vividos pelos personagens, em determinado tempo e lugar;
• Conta fatos reais ou fictícios;
• Apresenta um narrador que conta uma história.
TEXTO 1
TRAGÉDIA BRASILEIRA

Misael, funcionário da fazenda, com 63 anos de idade.
Conheceu Maria Elvira na Lapa__ prostituída, com sífilis, dermite nos dedos, uma aliança empenhada e os dentes em petição de miséria.
Misael tirou Maria Elvira da vida, instalou-a num sobrado no Estácio, pagou médico, dentista, manicura... Dava tudo quanto ela queria.
Quando Maria Elvira se apanhou de boca bonita, arranjou logo um namorado.
Misael não queria escândalo. Podia dar uma surra, um tiro, uma facada. Não fez nada disso: mudou de casa.
Viveram três anos assim.
Toda vez que Maria Elvira arranjava namorado, Misael mudava de casa.
Os amantes moraram no Estácio, Rocha, Catete, Rua General Pedra, Olaria, Ramos, Bonsucesso, Vila Isabel, Rua Marquês de Sapucaí, Niterói, Encantado, Rua Clapp, outra vez no Estácio, Todos os Santos, Catumbi, Lavradio, Boca do Mato, Inválidos...
Por fim na Rua da Constituição, onde Misael, privado de sentidos e de inteligência, matou-a com seis tiros, e a polícia foi encontrá-la caída em decúbito dorsal, vestida de organdi azul.

1933


BANDEIRA, Manuel. Estrela da vida inteira. 20ª Ed.
Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1993, pág. 160.

O texto em pauta é uma narração já que:
a) Relata progressivas mudanças de estado que foram ocorrendo através do tempo;
b) Há relação de anterioridade e posterioridade entre os episódios relatados;
c) Não é possível alterar a sequência dos enunciados sem interferir radicalmente no sentido global do texto.
Como comentário final, convém notar que uma narração não se esgota com mero relato de transformações que se sucedem no tempo. Ao fazer o relato, o narrador deixa entrever certa visão de mundo.
No caso especifico dessa narração, que acabamos de ler, o narrador, através dos recursos que explora para caracterizar os personagens e para relatar os fatos, deixa transparecer sua visão de descrença e de pessimismo: as relações entre os homens _ até mesmo as amorosas _ são presididas pelos interesses, e não por amor.

ATIVIDADE:
A- INTERPRETAÇÃO:
1- A quê você acha que se refere esse título “Tragédia Brasileira”?

2- Vocês acham o título adequado para o texto? Se você fosse mudar, que outro título daria para ele?

3- Qual o nome dos personagens?

4- Qual terá sido a intenção do autor ao citar a idade do homem?

5- Quais as características de Maria Elvira que o autor mostra? E de Misael?

6- Retire do texto um trecho onde o autor deixa transparecer sua descrença nas pessoas/relação amorosa.

7- Você acha que Maria Elvira amava Misael? Por quê?

8- No terceiro parágrafo do texto, o narrador relata uma mudança de estado que ocorreu na vida da personagem Maria Elvira.
a) Identifique o estado anterior e o posterior.

b) Qual a atitude desse personagem diante do novo estado?

9- Numa passagem posterior, o marido toma uma atitude impensada.
a) Que atitude é essa?

b) Explique por que ele agiu assim.

B- GRAMÁTICA NO TEXTO:
10- Retire do texto substantivos próprios.

C- DEBATE:
11- Discussão sobre o tema: TIPOS DE VIOLÊNCIA. Dividam-se em grupos para ler o texto e discutir sobre o assunto e depois fazer debate geral.
D- PRODUÇÃO TEXTUAL:
12- Transforme o desfecho dessa narrativa, ou seja, dê-lhe outro final.
13- Transformem este texto em notícia de jornal.
E- PESQUISA:
14- Pesquisem a biografia do Autor.
15- Leia outra obra do autor e comente sobre ela.
16- Existe uma lei e pena para cada crime. Sabendo que Misael cometeu um assassinato, Pesquise no Código Penal a pena para o crime de homicídio.
BIBLIOGRAFIA:
CEREJA, Willian Roberto; MAGALHÃES, Tereza Cochar. Todos os textos: Uma proposta de produção textual a partir de gêneros e Projetos. São Paulo: Atual, 1998.
Apostila da disciplina Português Instrumental. Professora Ana Lygia Cunha. Marabá, 2001.

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ATIVIDADES DO GESTAR TP3


ESCOLA INÁCIO SOUZA MOITA
DISCIPLINA: LÍNGUA PORTUGUESA
PROFESSORA: RAIKA BARRETO
AULA 4
GÊNEROS TEXTUAIS I
              Muito se tem falado sobre a diferença entre "tipos textuais" e "gêneros textuais". Alguns teóricos denominam dissertação, narração e descrição como "modos de organização textual", diferenciando-os das nomenclaturas específicas que são consideradas "gêneros textuais".
               A fim de simplificar o entendimento de diversos estudos em torno desse assunto, foi criado o quadro abaixo, pautando-se no estudo de Luiz Antônio Marcushi.
 Tipos textuais 
            Designam uma seqüência definida pela natureza lingüística de sua composição. São observados aspectos lexicais, sintáticos, tempos verbais, relações lógicas.
Narração
Descrição
Argumentação
Predição
Injunção

 Gêneros textuais
               São os textos materializados encontrados em nosso cotidiano. Esses apresentam características sócio-comunicativas definidas por seu estilo, função, composição, conteúdo e canal.
Carta pessoal, comercial, bilhete
Diário pessoal, agenda, anotações
Romance
Resenha
Blog
E-mail
Bate-papo (Chat)
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Fórum
Aula expositiva, virtual
Reunião de condomínio, debate
Entrevista
Lista de compras
Piada
Sermão
Cardápio
Horóscopo
Instruções de uso
Inquérito policial
Telefonema etc.
BIBLIOGRAFIA INDICADA
DIONÍSIO, Angela Paiva, MACHADO; Anna Rachel; BEZERRA, Maria Auxiliadora (Orgs.). Gêneros textuais & ensino. Rio de Janeiro: Lucerna, 2005.


MARCUSHI, Luiz Antônio; XAVIER, Antônio Carlos (orgs.). Hipertexto e gêneros digitais. Rio de Janeiro: Lucerna, 2004.


ESCOLA INÁCIO SOUZA MOITA
DISCIPLINA: LÍNGUA PORTUGUESA
PROFESSORA: RAIKA BARRETO
ALUNO (S):_________________________
SÉRIE E TURMA:____________N.º_______

CARACTERÍSTICAS DO GÊNERO NARRATIVO
• Apresenta fatos vividos pelos personagens, em determinado tempo e lugar;
• Conta fatos reais ou fictícios;
• Apresenta um narrador que conta uma história.
TEXTO 1
TRAGÉDIA BRASILEIRA

Misael, funcionário da fazenda, com 63 anos de idade.
Conheceu Maria Elvira na Lapa__ prostituída, com sífilis, dermite nos dedos, uma aliança empenhada e os dentes em petição de miséria.
Misael tirou Maria Elvira da vida, instalou-a num sobrado no Estácio, pagou médico, dentista, manicura... Dava tudo quanto ela queria.
Quando Maria Elvira se apanhou de boca bonita, arranjou logo um namorado.
Misael não queria escândalo. Podia dar uma surra, um tiro, uma facada. Não fez nada disso: mudou de casa.
Viveram três anos assim.
Toda vez que Maria Elvira arranjava namorado, Misael mudava de casa.
Os amantes moraram no Estácio, Rocha, Catete, Rua General Pedra, Olaria, Ramos, Bonsucesso, Vila Isabel, Rua Marquês de Sapucaí, Niterói, Encantado, Rua Clapp, outra vez no Estácio, Todos os Santos, Catumbi, Lavradio, Boca do Mato, Inválidos...
Por fim na Rua da Constituição, onde Misael, privado de sentidos e de inteligência, matou-a com seis tiros, e a polícia foi encontrá-la caída em decúbito dorsal, vestida de organdi azul.

1933


BANDEIRA, Manuel. Estrela da vida inteira. 20ª Ed.
Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1993, pág. 160.

O texto em pauta é uma narração já que:
a) Relata progressivas mudanças de estado que foram ocorrendo através do tempo;
b) Há relação de anterioridade e posterioridade entre os episódios relatados;
c) Não é possível alterar a sequência dos enunciados sem interferir radicalmente no sentido global do texto.
Como comentário final, convém notar que uma narração não se esgota com mero relato de transformações que se sucedem no tempo. Ao fazer o relato, o narrador deixa entrever certa visão de mundo.
No caso especifico dessa narração, que acabamos de ler, o narrador, através dos recursos que explora para caracterizar os personagens e para relatar os fatos, deixa transparecer sua visão de descrença e de pessimismo: as relações entre os homens _ até mesmo as amorosas _ são presididas pelos interesses, e não por amor.

ATIVIDADE:
A- INTERPRETAÇÃO:
1- A quê você acha que se refere esse título “Tragédia Brasileira”?

2- Vocês acham o título adequado para o texto? Se você fosse mudar, que outro título daria para ele?

3- Qual o nome dos personagens?

4- Qual terá sido a intenção do autor ao citar a idade do homem?

5- Quais as características de Maria Elvira que o autor mostra? E de Misael?

6- Retire do texto um trecho onde o autor deixa transparecer sua descrença nas pessoas/relação amorosa.

7- Você acha que Maria Elvira amava Misael? Por quê?

8- No terceiro parágrafo do texto, o narrador relata uma mudança de estado que ocorreu na vida da personagem Maria Elvira.
a) Identifique o estado anterior e o posterior.

b) Qual a atitude desse personagem diante do novo estado?

9- Numa passagem posterior, o marido toma uma atitude impensada.
a) Que atitude é essa?

b) Explique por que ele agiu assim.

B- GRAMÁTICA NO TEXTO:
10- Retire do texto substantivos próprios.

C- DEBATE:
11- Discussão sobre o tema: TIPOS DE VIOLÊNCIA. Dividam-se em grupos para ler o texto e discutir sobre o assunto e depois fazer debate geral.
D- PRODUÇÃO TEXTUAL:
12- Transforme o desfecho dessa narrativa, ou seja, dê-lhe outro final.
13- Transformem este texto em notícia de jornal.
E- PESQUISA:
14- Pesquisem a biografia do Autor.
15- Leia outra obra do autor e comente sobre ela.
16- Existe uma lei e pena para cada crime. Sabendo que Misael cometeu um assassinato, Pesquise no Código Penal a pena para o crime de homicídio.
BIBLIOGRAFIA:
CEREJA, Willian Roberto; MAGALHÃES, Tereza Cochar. Todos os textos: Uma proposta de produção textual a partir de gêneros e Projetos. São Paulo: Atual, 1998.
Apostila da disciplina Português Instrumental. Professora Ana Lygia Cunha. Marabá, 2001.

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GESTAR TP 3 UNID. 9


ESCOLA INÁCIO SOUZA MOITA
DISCIPLINA: LÍNGUA PORTUGUESA
PROFESSORA: RAIKA BARRETO
ALUNO (S):__________________________________________________________
SÉRIE E TURMA:_____________________N.º____________________________
AULA 3
BIOGRAFIA
        Carlos Drummond de Andrade nasceu em Itabira do Mato Dentro - MG, em 31 de outubro de 1902. De uma família de fazendeiros em decadência, estudou na cidade de Belo Horizonte e com os jesuítas no Colégio Anchieta de Nova Friburgo RJ, de onde foi expulso por "insubordinação mental". De novo em Belo Horizonte, começou a carreira de escritor como colaborador do Diário de Minas, que aglutinava os adeptos locais do incipiente movimento modernista mineiro.
       Ante a insistência familiar para que obtivesse um diploma, formou-se em farmácia na cidade de Ouro Preto em 1925. Fundou com outros escritores A Revista, que, apesar da vida breve, foi importante veículo de afirmação do modernismo em Minas. Ingressou no serviço público e, em 1934, transferiu-se para o Rio de Janeiro, onde foi chefe de gabinete de Gustavo Capanema, ministro da Educação, até 1945. Passou depois a trabalhar no Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional e se aposentou em 1962. Desde 1954 colaborou como cronista no Correio da Manhã e, a partir do início de 1969, no Jornal do Brasil.
Os primeiros livros de Drummond, Alguma poesia (1930) e Brejo das almas (1934). Alvo de admiração irrestrita, tanto pela obra quanto pelo seu comportamento como escritor, Carlos Drummond de Andrade morreu no Rio de Janeiro RJ, no dia 17 de agosto de 1987, poucos dias após a morte de sua filha única, a cronista Maria Julieta Drummond de Andrade.

Os Ombros Suportam o Mundo    

Chega um tempo em que não se diz mais: meu Deus.
Tempo de absoluta depuração.
Tempo em que não se diz mais: meu amor.
Porque o amor resultou inútil.
E os olhos não choram.
E as mãos tecem apenas o rude trabalho.                                                         
E o coração está seco.

Em vão mulheres batem à porta, não abrirás.
Ficaste sozinho, a luz apagou-se,
mas na sombra teus olhos resplandecem enormes.
És todo certeza, já não sabes sofrer.
E nada esperas de teus amigos.

Pouco importa venha a velhice, que é a velhice?
Teu ombros suportam o mundo
e ele não pesa mais que a mão de uma criança.
As guerras, as fomes, as discussões dentro dos edifícios
provam apenas que a vida prossegue
e nem todos se libertaram ainda.
Alguns, achando bárbaro o espetáculo,
prefeririam (os delicados) morrer.
Chegou um tempo em que não adianta morrer.
Chegou um tempo em que a vida é uma ordem.
A vida apenas, sem mistificação.
            Carlos Drummond de Andrade
Os versos acima foram publicados originalmente no livro "Sentimento do Mundo", Irmãos Pongetti - Rio de Janeiro, 1940.  Foram extraídos do livro "Nova Reunião", José Olympio Editora - Rio de Janeiro, 1985, pág. 78.
ATIVIDADE:
1- Pesquisem a biografia de outro autor e selecione um texto (poema, crônica, etc.). Não esqueçam da bibliografia.
2- Criem a sua Biografia e seu próprio poema.
BIOGRAFIA





















POEMA:



























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GESTAR TP 3 UNID. 9


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DISCIPLINA: LÍNGUA PORTUGUESA
PROFESSORA: RAIKA BARRETO
ALUNO (S):__________________________________________________________
SÉRIE E TURMA:_____________________N.º____________________________
AULA 3
BIOGRAFIA
        Carlos Drummond de Andrade nasceu em Itabira do Mato Dentro - MG, em 31 de outubro de 1902. De uma família de fazendeiros em decadência, estudou na cidade de Belo Horizonte e com os jesuítas no Colégio Anchieta de Nova Friburgo RJ, de onde foi expulso por "insubordinação mental". De novo em Belo Horizonte, começou a carreira de escritor como colaborador do Diário de Minas, que aglutinava os adeptos locais do incipiente movimento modernista mineiro.
       Ante a insistência familiar para que obtivesse um diploma, formou-se em farmácia na cidade de Ouro Preto em 1925. Fundou com outros escritores A Revista, que, apesar da vida breve, foi importante veículo de afirmação do modernismo em Minas. Ingressou no serviço público e, em 1934, transferiu-se para o Rio de Janeiro, onde foi chefe de gabinete de Gustavo Capanema, ministro da Educação, até 1945. Passou depois a trabalhar no Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional e se aposentou em 1962. Desde 1954 colaborou como cronista no Correio da Manhã e, a partir do início de 1969, no Jornal do Brasil.
Os primeiros livros de Drummond, Alguma poesia (1930) e Brejo das almas (1934). Alvo de admiração irrestrita, tanto pela obra quanto pelo seu comportamento como escritor, Carlos Drummond de Andrade morreu no Rio de Janeiro RJ, no dia 17 de agosto de 1987, poucos dias após a morte de sua filha única, a cronista Maria Julieta Drummond de Andrade.

Os Ombros Suportam o Mundo    

Chega um tempo em que não se diz mais: meu Deus.
Tempo de absoluta depuração.
Tempo em que não se diz mais: meu amor.
Porque o amor resultou inútil.
E os olhos não choram.
E as mãos tecem apenas o rude trabalho.                                                         
E o coração está seco.

Em vão mulheres batem à porta, não abrirás.
Ficaste sozinho, a luz apagou-se,
mas na sombra teus olhos resplandecem enormes.
És todo certeza, já não sabes sofrer.
E nada esperas de teus amigos.

Pouco importa venha a velhice, que é a velhice?
Teu ombros suportam o mundo
e ele não pesa mais que a mão de uma criança.
As guerras, as fomes, as discussões dentro dos edifícios
provam apenas que a vida prossegue
e nem todos se libertaram ainda.
Alguns, achando bárbaro o espetáculo,
prefeririam (os delicados) morrer.
Chegou um tempo em que não adianta morrer.
Chegou um tempo em que a vida é uma ordem.
A vida apenas, sem mistificação.
            Carlos Drummond de Andrade
Os versos acima foram publicados originalmente no livro "Sentimento do Mundo", Irmãos Pongetti - Rio de Janeiro, 1940.  Foram extraídos do livro "Nova Reunião", José Olympio Editora - Rio de Janeiro, 1985, pág. 78.
ATIVIDADE:
1- Pesquisem a biografia de outro autor e selecione um texto (poema, crônica, etc.). Não esqueçam da bibliografia.
2- Criem a sua Biografia e seu próprio poema.
BIOGRAFIA
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