HUMANISMO

Humanismo
        Ao final da Idade Média a Europa passa por profundas transformações. A imprensa é aperfeiçoada permitindo maior divulgação dos livros; a expansão marítima é impulsionada graças ao desenvolvimento da construção naval e à invenção da bússola; aparecimento da atividade comercial. Surge o mercantilismo, e com ele, a economia baseada exclusivamente na agricultura perde em importância para outras atividades. As cidades portuárias crescem, atraindo camponeses. Criam-se novas profissões e pequenas indústrias artesanais começam a se desenvolver.
        Uma nova classe social emerge nas pequenas cidades (burgos), composta por mercadores, comerciantes e artesãos, as quais passam a desafiar o poder dos nobres. Essa classe recebe o nome de Burguesia.
        O espírito medieval, baseado na hierarquia nobreza – clero – povo, começa a se desestruturar e o homem preso ao feudo e a o senhor adquire nova consciência. Diante do progresso, percebe-se como força criadora capaz de influir nos destinos da humanidade, descobrindo, conquistando e transformando o Universo.
        O homem descobre o homem. A idéia de que o destino estava traçado por forças superiores, a qual caracteriza a homem como ser passivo, vai sendo substituída pela crença de ele é o mentor de seu próprio destino. O misticismo medieval começa a desaparecer, e o Teocentrismo cede lugar ao Antropocentrismo.
        Portugal tem como marco cronológico de toda essa transição a Revolução de Avis (1383 – 85), quando D. João, o Mestre de Avis, aliado aos burgueses, proporcionou a expansão ultramarina. A tomada de Ceuta em 1415, primeira conquista ultramarina, Portugal inicia a longa caminhada de um século até conhecer seu apogeu.                                                                http://universoliterario.vilabol.uol.com.br/humanismo.html
  Início: 1434 - Fernão Lopes é nomeado cronista-mor do Reino.
 Término: 1527 - Francisco de Sá de Miranda inicia o Renascimento em Portugal.
 Perfil da Época:
  • Transição da Idade Média ao Renascimento;
  • Crise do Feudalismo e da Igreja;
  • Centralização política: Absolutismo;
  • Início do Mercantilismo: grandes navegações;
  • Revalorização da Antigüidade Clássica;
  • Dualismo: Teocentrismo X Antropocentrismo;
  • Obras importantes:
Características do Humanismo:
  •       Florescimento da prosa; declínio da poesia.
  •       Manifestações literárias:
  •       Poesia palaciana
  •       Prosa doutrinária
  •       Historiografia
  •      Teatro de Gil Vicente
      Poesia Palaciana
      1) Cancioneiro Geral, de Garcia Resende, 1516.
      2) Ligada à vida social da corte.
      3) Transição entre a tradição medieval e a tradição moderna.
      4) Autonomia em relação à música:
  • métrica
  • declamadas em salões
  • surgem os livros, com a invenção da imprensa
  • os autores se chamam poeta, não são mais trovadores
  • lírica (contradições do amor - influência de Petrarca, poeta italiano)
Prosa doutrinária da corte de Avis
      A dinastia se tornou o centro da produção cultural portuguesa.
      Principais obras:
      1) Livro de Montaria, D. João I.
      2) Virtuosa Benfeitoria e Leal Conselheiro, de D. Pedro.
      3) Ensinança de Bem Cavalgar toda Sela, de D. Duarte.
Teatro de Gil Vicente
      Mentalidade medieval - ambientado no início da Era Moderna, mas ainda reflete o pensamento medieval.
      Características:
      1) teatro alegórico - as barcas são alegorias da morte;
      2) teatro de tipos - classe social, profissão, sexo, idade. Exemplos do Auto da Barca do Inferno:
  • Fidalgo
  • Onzeneiro
  • Parvo
  • Procurador/ Corregedor
3) Teatros de quadros: sucessão de cenas, chegando a um ponto culminante e desfecho.
      4) Rupturas da linearidade do tempo e despreocupação com a verossimilhança: na farsa O Velho da Horta - pela manhã a mocinha procura o velho para comprar os temperos, no final do diálogo, o criado vem avisar-lhe que já é noite.
      5) Teatro cômico e satírico. A maioria das peças são comédias de costumes, seguindo o lema latino: “Pelo riso corrigem-se os costumes”. Personagens caricaturais. Sua linguagem faz cócegas na platéia.
Gil Vicente, nasce o Teatro em Portugal
        O ano de nascimento do teatrólogo Gil Vicente, o introdutor do teatro em Portugal, não é conhecido ao certo; alguns assinalam que teria sido em 1465 ou 1466, e o ano de sua morte entre 1536 e 1540. Sabe-se, entretanto, que ele iniciou sua carreira teatral em 1502, quando, representando os servidores do Palácio do rei D. Manoel, declamou em espanhol o Auto da Visitação ou Monólogo do Vaqueiro, na câmara de D. Maria de Castela .
        Vicente, figura cimeira do teatro português, foi homem de coragem, que não hesitou em denunciar com lucidez, mordacidade e sentido de humor os abusos, hipocrisias e incoerências que estavam a sua volta. Nada escapou a sua observação: o clérigo devasso e venal, esquecido do verdadeiro sentido de sua missão; o velho cúpido e avarento; a moça fútil e preguiçosa; a esposa infiel, hipócrita e interesseira – todos eles constituem personagens vivas, lançadas do tempo para a eternidade pelo genial Mestre Gil.

Atividade
Assista ao filme "O nome da Rosa", baseado no best-seller do escritor Umberto Eco, e faça o que se pede:
01. Faça uma sinopse do filme.
02. Descreva, com objetividade, os personagens principais.
03. Esse filme pode ser considerado Humanista? Por quê?
04. Que características do Humanismo encontramos no  filme?
05. Pesquise o que foi a "Santa Inquisição" e aponte o papel dela no filme.
06. O filme trabalha  a questão do Teocentrismo X Antropocentrismo. Explique em que parte do filme acontece isto.
07.Como é trabalhado o amor no filme?
08. Como a mulher é vista pelos humanistas? Como aparece no filme?
09. Explique o papel da comédia no enredo.
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TROVADORISMO



Trovadorismo (1189/1198).

Século XII ao XV

INÍCIO: Canção da Ribeirinha - Paio Soares de Taveirós
TÉRMINO: Fernão Lopes é eleito cronista-mor da torre do Tombo
Painel da época: 
  • Melopéia: palavra e música;
  • Idade Média / Feudalismo / Teocentrismo: poder espiritual  e cultural da Igreja
  • Cristianismo
  • Cruzadas rumo ao Oriente
  • Luta contra os mouros
  • Língua: galego-português (português arcaico)
  • Autor principal: Rei D. Dinis (1261-1315)
  • Monopólio clerical
PRODUÇÃO LITERÁRIA: PROSA E POESIA
Poesia Lírica:
Cantiga de amor (eu lírico masculino)
  • amor do trovador pela mulher amada.
  • mulher idealizada.
  • contemplação platônica.
  • uso de “meu senhor”.
  • sofrimento por amor.
  • vassalagem amorosa.
  • amor cortês.
  • estribilho ou refrão.
 Cantiga de Amigo  (eu lírico feminino)
  • O trovador coloca-se no lugar da mulher que sofre pelo amado que partiu.
  • mulher concreta - real.
  • conversa com a natureza.
  • popular - mulher camponesa.
  • uso do termo “amigo” =  namorado, amante, marido.
  • paralelismo e refrão.
Poesia satírica:
Cantiga de Escárnio:
  • referências indiretas.
  • ironia.
  • ambigüidade (vocabulário de duplo sentido).
  • não se revela o nome da pessoa satirizada.
Cantiga de Maldizer:
  • sátira direta.
  • maledicência
  • uso de palavras obscenas ou de conteúdo erótico.
  • citação nominal da pessoa satirizada.
 A PROSA:
Hagiografia:  relatos bibliográficos de figuras canonizadas, escritos em latim.
Cronicões: relatam, de forma romanceada, os episódios históricos/sociais do século XIV.
Livros de linhagem: apresenta a genealogia das famílias nobres.
Novelas de Cavalaria: 
  • poemas que celebram acontecimentos históricos, trazidos principalmente da França e Inglaterra.
  • temos três ciclos:
a) Ciclo Bretão ou Arturiniano: Rei Artur e Cavaleiros   da Távola Redonda.
b) Carolíngio: Carlos Magno
c) Clássico: Antigüidade Greco Romana.
Pesquise:
1. O que representava o trovador e o jogral para os textos poéticos dessa primeira época medieval?
2. Qual o tema mais constante deste período e qual o nome dado a ele?
3. O que quer dizer "coita d'amor"?
4.Qual a estrutura  das cantigas de amor?
5. Que tipo de linguagem era empregada na cantiga satírica?
6. Qual a diferença entre cantiga de escárnio e maldizer?
7. Quais os cancioneiros que fizeram parte deste período? Fale um pouco sobre cada um. 
8. Leia os textos e faça o que se pede:
I - “CANTAR D’AMIGO”
Vi eu, mia madr’, andar 
as barcas eno mar: 
e moiro-me d’amor. 
Fui eu, madre, veer 
as barcas eno ler (1): 
e moiro-me d’amor. 
As barcas eno mar 
a foi-las aguardar: 
e moiro-me d’amor 
As barcas eno ler 
E foi-las atender (2)  
e moiro-me d’amor 
E foi-las aguardar 
e non o pud’achar: 
e moiro-me d’amor.
                          (Nuno Fernandes Torneol)
   1. praia;  2. esperar.
 
II - “CANTIGA DE ESCÁRNIO”
Ai, dona fea, foste-vos queixar 
porque vos nunca louv’-en meu trobar 
mais ora quero fazer un cantar 
en que vos loarei toda via (1), 
e vedes como vos quero loar
dona fea, velha e sandia (2). 
Ai dona fea! se Deus me perdon! 
e pois havedes tan gran coraçon 
que vos eu loe en esta razon (3), 
vos quero já loar toda via, 
e vedes qual será a loaçon: 
dona fea, velha e sandia! 
Dona fea, nunca vos eu loei 
en meu trobar, pero (4) muito trobei; 
mais ora já um bom cantar farei 
en que vos loarei toda via; 
e direi-vos como vos loarei: 
dona fea, velha e sandia!
                             (João Garcia de Guilhade)
   1. para sempre;
   2. louca, demente;
   3. que eu a louve por este motivo;
   4. porém, todavia.
 
III -  “CANTIGA DE MALDIZER" 
Meu senhor arcebispo, and’eu escomungado 
porque fiz lealdade; enganou-me o pecado (1)! 
Soltade-m’, ai (2), senhor, e jurarei, mandado 
        que seja traëdor. 
Se traiçon fezesse, nunca vo-la diria; 
mais (3) pois fiz lealdade, vel (4) por Santa Maria, 
soltade-m’, ai, senhor, e jurarei, mandado 
        que seja traëdor. 
Per mia maleventura tive hun en Sousa 
e dei-o a seu don’ e tenho que fiz gran cousa (5). 
Soltade-m’ ai, senhor, e jurarei, mandado 
        que seja traëdor. 
Por meus negros pecados tive hun castelo forte 
e dei-o a seu don’, e hei medo da morte. 
Soltad-m’, ai, senhor, mandado 
        que seja traëdor. 
                                      (Diego Pezelho)
 
   1. o demônio enganou-me;
   2. absolvei-me, ai;
   3. mas;
   4. oh!, ah!, ai! (segundo Rodrigues Lapa);
   5. parece-me ter cometido um ato grave (segundo Rodrigues Lapa).
 
a) Identifique as principais características dos três textos analisando suas diferenças.
b) Faça um estudo do eu-lírico nas cantigas acima e explique esse tipo de produção literária da época medieval.
 
Marque as questões certas:
 
     “Rui Queimado morreu con amor
     en seus cantares, por Sancta Maria
     por  ua dona que gran ben queria,
     e, por se meter por mais trovador,
     porque lh’ela non quis [o] ben fazer(1),
     fez - s’el  en seus cantares morrer,
     mas ressurgiu depois ao tercer dia!
     Esto fez el por ua sa senhor
     que quer gran ben, e mais vos en diria:
     porque cuida que faz i maestria (2),
     enos cantares que fez sabor(3)
     de morrer i e desi d’ar viver (4);
     esto faz el que x’o pode fazer,
     mas outr’omem per ren non [n] o faria.
     E non há já de sa morte pavor,
     senon sa morte mais la temeria,
     mas sabede ben, per sa sabedoria,
     que viverá, des quando morto for
     e faz - (s’) en seu cantar morte prender,
     desi ar viver: vede que poder
     que lhi Deus deu, mas que non cuidaria.
     E, si mi Deus a mim desse poder,
     qual oi’el há, pois morrer, de viver,
     jamais morte nunca temeria.
 
1. porque ela não lhe quis atender as súplicas;
2. porque ele imagina que tem talento;
3. a gosto, satisfeito;
4. de aí morrer e, mais tarde, reviver.

9) A cantiga anterior é de autoria de Pedro Maria Burgalês. Por suas características e conteúdo, ela é uma cantiga:
a) de amigo;
b) de escárnio;
c) de amor;
d) de maldizer;
e) n.d.a.
10) Fazem parte da prosa trovadoresca em Portugal:
a) as hagiografias e as cantigas de maldizer;
b) os livros de linhagem e os cronicões;
c) as novelas de cavalaria e os romances;
d) os cronicões e as crônicas;
e) os livros de linhagem e os sonetos.
11) Assinale a alternativa incorreta:
a) Na cantiga de amigo, o “eu-lírico” feminino lamenta a ausência do amigo distante;
b) Na cantiga de escárnio, a sátira é feita indiretamente e usam-se a ironia e as ambigüidades;
c) Na cantiga de maldizer, o erotismo pode estar presente;
d) Na cantiga de amor, o apelo erótico é purificado e ocorre a idealização do amor;
e) Na cantiga de amigo, usa-se o refrão, mas não existe paralelismo.
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